Meu orgulho foi comprado com sangue


A palavra orgulho foi se banalizando ao longo dos anos. Quando uma empresa ou um comercial fala de orgulho tem sempre uma boa colher de açúcar, frases de afeto e pessoas felizes. Mas, o orgulho alcança estâncias mais profundas.


Nós, homens gays, aprendemos que éramos errados, que nosso amor era feio, que nosso desejo era promíscuo, ouvimos que deveríamos morrer, fomos chamados de aberração e isso traz uma marca de dor e de sofrimento, e uma grande vergonha (shame). E essa vergonha nos corrói, marcando a nossa sensação de pertencimento e nos lembrando que fomos rejeitados.


Ao falar de vergonha precisamos sim levantar bandeiras, mas precisamos, principalmente, levantar a nós mesmos. Gritar aos quatro cantos o quanto a nossa voz merece ser ouvida, o quanto o nosso amor é belo...


Falar de orgulho é exaltar a nossa força, é exaltar a nossa conquista de espaço à custa de sangue, lágrimas e muito enfrentamento.


A próxima vez que ver a palavra orgulho, lembre-se que ela veio manchada com o nosso sangue e que ter orgulho é exaltar a nossa sobrevivência. E que, apesar de todas as nossas dores, nos tornamos. E tornar-se um homem gay já é um motivo para se orgulhar.


Mas, mais do que isso, falar de orgulho é olhar para dentro e se perguntar: “O que dentro de mim ainda sinto com vergonha?”. E pegar essas características, trazer para fora e lutar para que nunca mais sinta vergonha de nenhuma parte. Pois, todas as nossas partes merecem ser celebradas. E que ao falar de orgulho você fale de amor-próprio.


E que o sangue daqueles que nos antecederam seja honrado com o nosso orgulho de sermos quem somos.


Bjpro6

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