Você se encontra ou se esconde?


Quando nos encontramos com o outro – e aqui não estou falando de qualquer esbarrão, mas do bom encontro, daquele em que há troca, em que as duas pessoas estão dispostas a autorrevelação – abrimos o caminho para o nosso próprio cuidado.


A maioria das nossas dores é causada pelo outro, já dizia Sartre “o inferno são os outros”, mas é também no outro que está a possibilidade de cura para essas dores. Explico: é no outro que me diferencio, que me inspiro, que confronto minhas certezas, que afirmo quem eu sou.


Quando, por exemplo, eu odeio lasanha de berinjela, mas descubro que tem alguém que ama essa receita, eu me diferencio, eu tenho a ideia de “eu” e de “não eu”. Ou quando vejo que alguém postou uma foto ou um depoimento corajoso, que eu não colocaria nas minhas redes sociais, eu me inspiro.


No encontro com o outro eu também confronto as minhas certezas. Pode ser que eu acredite em algo por muito tempo e o outro me fale que isso não é bem assim, que na verdade existe até um estudo dizendo o contrário. E ainda afirmo quem eu sou, porque não tem como saber que sou uma pessoa que gosta de cuidar, se não tiver ninguém ao meu lado para eu cuidar.


E mais. O outro tem ainda a capacidade de amar coisas em nós, que nós mesmos detestamos. O outro é capaz de acolher nossos sofrimentos, de uma maneira que nem a gente consegue acolher. Além de enxergar partes de nós que não somos capazes de ver sozinhos.


Em um encontro real, do tipo sem máscaras, é possível enxergar no olho do outro quem somos, literal e metaforicamente falando.


Não é fácil! Afinal, nem todo mundo está disposto a se encontrar. Mas, se você se permitir ouvir o outro e não apenas escutar, sem que nada do que a pessoa diga te afete, e mais, se estiver disposto a ter uma fala franca e a se mostrar de verdade para o outro, além de cura e cuidado, esse encontro vai te potencializar!


Bjpro6


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