Autoestima: uma falácia perigosa


Chamar de baixa autoestima uma marca de sofrimento existencial profunda é deslegitimar a dor do homem gay. Tenho falado muito aqui no Instagram sobre os impactos da compartimentalização e da vergonha no homem gay.


E muitas pessoas acreditam que todos os problemas do homem gay estão ligados a autoestima. “Ah, eles usam drogas, são promíscuos... porque têm problemas de autoestima”. Mas, será mesmo que as questões do homem gay são um problema de autoestima?


Quando se trata da homossexualidade existe a forma como o sujeito se enxerga, que foi aprendida com os demais, mas também há a maneira como ele é visto constantemente.


E fica muito difícil pensar em um processo de orgulho de si mesmo quando o tempo todo estamos diante de experiências que tentam nos convencer do quanto estamos quebrados.


E eu nem estou falando de homofobia. Estou falando, por exemplo, de quando vamos nos relacionar com outro homem gay e a relação é completamente vazia. Ou quando seu amigo, ao invés de te acolher, só quer ir para balada dançar.


Isso aprofunda a sensação de que além de eu estar quebrado, todo mundo na minha comunidade também está. Então, essa é uma questão muito mais profunda, que apenas autoestima.


Uma questão que nós homens gays precisamos nos responsabilizar, cuidando uns dos outros e aceitando que os processos de compartimentalização não foram criados por nós, mas estão na nossa comunidade.


Nós aprendemos a nos esconder, a mentir e a mostrar as nossas partes mais superficiais. E agora nós precisamos parar de chamar de problema de autoestima e juntos olhar para a vergonha que nos marcou, mas que nós não precisamos estar identificados com ela.


E você? Já chamou de problema de autoestima algo que é muito maior e mais profundo? Conta aí nos comentários e vamos trocar experiências.


Bjpro6


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